Foto: Floriano Lima
Em seminário, pesquisadores alertam para endividamento familiar devido a mensalidades de IES privadas

No período de 20 a 24 de novembro de 2017, a Universidade do Estado do Amapá (UEAP) em parceria com  Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) organizaram o 2º Seminário Política de Educação Superior Brasileira: expansão em tempos de incertezas, com vasta programação voltada para profissionais da área de educação tanto no nível básico quanto superior.

Na mesa de encerramento do seminário, os pesquisadores explicaram o crescimento da participação de empresas privadas na Educação Superior brasileira. “A Educação Superior transformou-se num mercado”, frisou Valdemar Sguissardi, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), do Estado de São Paulo.

Sguissardi, doutor em Educação pela Universidade de Paris, criticou a lógica da competitividade que os investimentos privados induziram ao sistema educacional, o que se refletiu no modelo proposto pela Proposta de Emenda Constitucional 95 (PEC 95), que impõe a continuidade do pagamento dos juros da dívida pública em detrimento do investimento em educação. “O Estado está muito mais próximo de ser uma coisa privada do tipo mercantil do que uma coisa pública, é uma ilusão pensar que o Estado é totalmente público, há uma intensa disputa de interesses”, concluiu o pesquisador.

CRISE FAMILIAR - A pesquisadora Dra. Vera Lúcia Jacob, da Universidade Federal do Pará (UFPA), alertou que as mudanças do panorama da educação no Brasil devem se refletir ainda mais pesadas no bolso das famílias. “O que está se desenhando no país é o endividamento familiar por conta das mensalidades do Ensino Superior”, alertou.

Para Jacob, na área da educação superior no Brasil corre o risco de se desenvolver uma crise análoga à “bolha” econômica dos EUA, onde o endividamento familiar por conta do ensino privado tem levado milhões de estudantes a uma intensa perda de poder aquisitivo logo após a graduação.

A pesquisadora afirmou que os grupos econômicos que investem em Educação Superior no país não necessariamente lucram diretamente das mensalidades. “Eles obtêm lucros de duas formas: com suas ações nas bolsas de valores, e por meio do fundo público, em particular o FIES e o PROUNI”, explicou, ressaltando ainda que os programas de financiamento estudantil garantiram a valorização das ações de grupos como o Ser Educacional e Kroton, que investem em universidades privadas em todo o país.

A palestra que encerrou 2º Seminário Política de Educação Superior Brasileira recebeu os aplausos de uma plateia lotada de profissionais e estudantes, especialmente dos cursos de Pedagogia do Amapá. O evento contou com o apoio do CNPq, UNIFAP, UEAP e SINSEPEAP e vincula-se ao projeto de pesquisa Expansão e Financiamento da Educação Superior Pública nos Estados do Amapá e Pará, desenvolvida pelo Grupo de Estudos e Pesquisas Marxismo, Trabalho e Políticas Educacionais (GEMTE).

 

Publicado em: Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017 por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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