Foto: Floriano Lima
Convido as pessoas que pensam diferente de mim a participarem desse debate, diz Luciano Pereira, organizador do curso O Golpe de 2016. Confira entrevista!
"Convido as pessoas que pensam diferente de mim a participarem desse debate", diz Luciano Pereira, organizador do curso O Golpe de 2016. Confira entrevista!

O atual cenário político do Brasil tem despertado a atenção de vários setores acadêmicos ao redor do mundo. Nas universidades brasileiras, um movimento encabeçado pelo professor Luis Felipe Miguel, da UnB, iniciou uma discussão sobre o que vêm se denominando como “golpe de 2016”, são ciclos de palestras que visam discutir o cenário social e político que culminou no impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e as consequências dessa deposição.

Na UEAP, o Colegiado de Ciências Naturais organizou um ciclo de debates em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão (PROEXT), criando o curso “O Golpe de 2016 e suas implicações nas políticas de educação no Brasil”.

O curso inicia em 18 de maio e as inscrições podem ser feitas pelo link https://goo.gl/GS5Bjr. Confira abaixo uma entrevista com o professor Luciano Araújo Pereira, um dos organizadores do evento, a respeito do curso.

 

UEAP: Qual sua expectativa sobre esse ciclo de palestras? Como foi organizado?

LUCIANO PEREIRA: O curso está com uma boa expectativa pois estamos trazendo um grande cientista político, o dr. Emir Sader, da Universidade do Rio de Janeiro, que vem contribuir trazendo elementos interessantes e importantes para nós aqui compreendermos como se deu esse movimento do golpe.

 

ASCOM: Você acredita que houve golpe? Teve alguma resistência para criação desse curso? Só pela postagem do cartaz já para perceber reações negativas na nossa página nas redes sociais.

LP: Felizmente a sociedade é formada por pessoas que pensam diferente. Existem pessoas que pensam que tudo o que é feito dentro da legalidade é bom, mas não veem que essa é uma legalidade implementada por um parlamento altamente suspeito. Para você ver: vários daqueles políticos que votaram a admissibilidade do impeachment falaram em seus votos sobre a família, sobre religião e contra corrupção, mas um ano depois várias dessas pessoas estão aí comprometidas com escândalos, indo presas pela Polícia Federal, envolvidas em esquemas fraudulentos, etc.

As pessoas não podem nos proibir o direito de pensar diferente e de expor as nossas ideias. As pessoas que não concordam podem se inscrever, não há nenhum problema nisso, desde que se respeite o debate dentro de um ponto de vista acadêmico. Nós estamos dentro de uma universidade, não estamos dentro de um campo de concentração, as pessoas precisam ter o respeito à pluralidade de ideias.

 

ASCOM: Como vocês organizaram as palestras?

LP: O curso terá um elenco de discussão bem interessante. Veremos a questão histórica, a geografia, a política internacional, a religiosidade, as relações políticas, o Estado. O curso tem essa magnitude de discutir o que está pautado hoje na nossa sociedade. O papel da academia é justamente trabalhar a polêmica, a discussão, o contraditório, porque nós aqui dentro, querendo as pessoas ou não, interferimos na sociedade com as nossas ideias, e nós devemos mostrar à sociedade que a academia é um espaço, um celeiro de discussão. Nós traremos elementos para que as pessoas possam ter acesso à literatura sobre o tema, que é um tipo de referência não muito fácil de encontrar. Cada professor que foi selecionado para o curso vai trazer uma série de referências para munir o aluno de elementos para as pessoas possam discutir.

 

ASCOM: Há um movimento nacional das universidades em torno desse curso, mas ele já recebeu críticas negativas inclusive no âmbito federal, com ameaça de proibição.

LP : O próprio MPF rechaçou isso e divulgou parecer dizendo que a Universidade tem autonomia para discutir o que quiser, e que não se pode engessar e proibir o debate político. O parecer está disposto na rede computadores dando a entender que houve um equívoco do ministro de educação quando ele quis calar a universidade. Depois disso, mais de 40 universidades já implementaram esse tipo de curso. No nosso, aqui na UEAP, vamos discutir qual a interferência do golpe para a educação, mas traremos também a questão do gênero na educação, da mulher, da privatização, da perda de direitos e, claro, sobre como funciona a atuação desse parlamento que legisla em causa própria.

Eu convido as pessoas que pensam diferente de mim a participarem desse debate. Isso aqui não é uma discussão do tipo capitalismo contra socialismo, não se trata disso. A questão aqui é descobrir quem é que manda e quem é mandado nesse país.

Publicado em: Quarta-feira, 09 de Maio de 2018 por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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