Foto: Floriano Lima
2º DIA DE EHAE: pesquisadores relembram legado de Chico Mendes para a educação ambiental

De 9 a 11 de novembro a Ueap tem recebido pedagogos de outras instituições do Estado, do Pará e do Maranhão para debaterem no 1º Encontro Amapaense de História da Educação (EAHE), promovido pelo Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Educação na Amazônia Amapaense-GEPEA em parceria com o curso de Licenciatura em Pedagogia, Letras e Música.

No segundo dia de programações, o evento começou com a palestra do Prof. Me. Wilson Monteiro Albuquerque Maranhão. Em seguida, uma roda de professores mediada pelo Me. Uédio Robds Leite da Silva (UNIFAP) contou com intervenções do Dr. Sidney da Silva Lobato (UNIFAP), o Prof. Me. Vitor Sousa Cunha Nery (UEAP) e Me. André Lins de Melo (UEAP).

 HISTÓRICO AMAPAENSE

 Sidney Lobato relembrou a importância do ambientalista Chico Mendes como um dos pioneiros a levar ao país a causa ambiental em defesa da Amazônia e dos povos tradicionais da região. A partir das conferências da Rio 92, quatro anos após o covarde assassinato de Chico Mendes, o Brasil passaria adotar as primeiras medidas para implementar na Amazônia um modelo de desenvolvimento sustentável que freasse o desenvolvimentismo, o desmatamento descontrolado e respeitasse o que Chico Mendes intitulou como "Povos da Floresta", denominação usada até hoje para se referir a povos tradicionais da Amazônia tais como indígenas, quilombolas e ribeirinhos. "Até então o Amapá era um dos melhores exemplos da Amazônia na implantação de grandes projetos equivocados", afirmou Sidney.

No Amapá, em 1995 foi adotado o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA), que formaria a base para a criação das Escolas Bosques, centros irradiadores do chamado método sócio-ambental de educação.

Uédio Silva pontuou o histórico da chamada pedagogia da alternância no Amapá, um modelo pedagógico muito aplicado na zona rural brasileira, implementado na década de 80 no Amapá através de financiamento italiano com a chamada Escola Família, de inspiração católica. Neste método a família era incentivada a participar da formação escolar dos jovens, que levavam atividades para serem realizadas em casa e na escola, em geral atividades direcionadas ao estudo de disciplinas afins ao trabalho já realizado por uma família típica da zona rural, tais como agricultura, economia familiar e língua portuguesa.

Após essa fase, nos anos 90 um grupo de pesquisadores amapaenses encontrou em Manaus um modelo de escola mais voltado às populações tradicionais da região e readaptou o modelo amapaense.

Por fim, André Lins levantou um histórico sobre o financiamento do Estado à Ueap e concluiu que, no período de 2009 a 2013, a Universidade do Estado deixou de arrecadar R$ 60 milhões, retirados pelo Governo por meio de uma anulação do orçamento inicial, manobra que permite ao Executivo retirar verbas de um orçamento e aplicar em outras despesas, no caso, foi priorizado o pagamento da dívida estadual com a União que, segundo Lins, ocupou 8% da arrecadação do Amapá.

Para o pesquisador, a cultura de produtivismo da academia aliada à falta de recursos leva os acadêmicos a um ambiente competitivo que é prejudicial à universidade. "Nesse cenário cabe ao professor pesquisar, produzir intensamente e disputar com outros pesquisadores os parcos recursos que lhes restam", concluiu.

Publicado em: Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016 por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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